MUITO A FAZER
Em 2007, quando o Brasil foi escolhido como país sede da Copa do Mundo de 2014, uma das garantias dadas à Fifa envolvia a mobilidade urbana, além, é claro, da construção de estádios adequados às exigências da Federação Internacional de Futebol Associado. Seis anos depois, e às vésperas da principal competição do futebol mundial, o país ainda se mostra despreparado para atender à grande demanda de torcedores daqui e do exterior que acompanharão os eventos. Nos vários testes, as capitais brasileiras mostraram fragilidades que já eram para ter sido resolvidas, ou cuja solução deveria estar em curso. No caso mineiro, em Belo Horizonte, a história do metrô venceu várias administrações e não saiu do lugar. Os BRTs – ônibus que andam por uma faixa própria – ainda não foram concluídos, fruto, em algumas situações, de erros no projeto original.
Mas é no Rio de Janeiro, que também será sede dos Jogos Olímpicos de 2016, que a situação se mostra mais crítica. Além de repetir os problemas da Copa das Confederações, nos quais os torcedores ficaram sem ônibus em quase todas as capitais, a sede fluminense se mostrou frágil também na visita do Papa Francisco, quando acolhe, até domingo, milhares de jovens de diversos países. Na última terça-feira, o metrô ficou duas horas parado por problemas na rede elétrica; a comitiva do Papa se meteu num engarrafamento que só não foi pior por conta do bom-humor do pontífice, que tirou de letra e quase foi para a galera.
A menos de um ano da Copa, não há perspectivas de grandes mudanças, sobretudo num momento em que o Governo federal, por conta do fantasma da inflação, voltou a segurar o cofre. Será um período de incertezas, pois a mobilidade tornou-se o grande dilema das metrópoles. Cidades de grande e médio porte, se nada for feito nos próximos anos, tendem a parar, por conta do excesso de veículos particulares nas ruas e da falta de políticas que possibilitem ao usuário optar pelo transporte coletivo. Os testes, por enquanto, são preocupantes.











