CACHORRO GRANDE


Por Tribuna

24/12/2011 às 07h00

Se ocorresse nas ruas o enfrentamento entre a corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, e as entidades de magistrados, seria considerado briga de cachorro grande. Mas, como se trata da Justiça e suas entranhas, a discussão soa como um jogo de poder, no qual há interesses de toda sorte, ficando o honorável público na arquibancada. A corregedora, autora da frase há bandidos atrás da toga, comprou uma briga e tanto ao tentar enquadrar magistrados e submetê-los às regras do Conselho Nacional de Justiça. As associações, por sua vez, acham que ela está indo além dos limites de suas prerrogativas, deixando os autos para uma ação mística de definir entre o bem e o mal.

Decisões de juízes só devem ser comentadas nos autos, por meio de recursos, mas, nesse caso, o que se vê não é o nada saudável contraditório dos tribunais. Os dois lados apresentam suas razões, algumas delas risíveis, sem sinalizar para o fim do impasse. O corporativismo está explícito, assim como o jogo pessoal da corregedora, que, ao que tudo indica, não consulta, sequer, os seus pares em busca de algum contraponto para seus argumentos.

O dano, porém, fica para o Judiciário, que se expõe de forma menor e se fragiliza diante da opinião pública. Quando magistrados se recusam a apresentar seus dados fiscais – como diz a corregedora -, cria-se a impressão de que tentam se diferenciar dos demais, o que não é verdade. Para o fisco, a isonomia é vital. Ao mesmo tempo, embora num primeiro momento sob o apoio das ruas, a desembargadora, em sua cruzada, corre o risco de não ir adiante, por tentar – sem apoio dos demais – corrigir de uma só vez anos de problemas. Deveria ser mais política, mesmo sem abrir mão de suas prerrogativas.