PELO CONJUNTO


Por Tribuna

24/11/2013 às 07h00

O uso do julgamento do mensalão, que culminou na prisão de diversas lideranças políticas e empresariais, na eleição do ano que vem, fato que tanto temor causa aos partidos, pode ser um equívoco, já que as ruas têm sempre uma leitura diferente. É fato que o tema estará nos palanques, mas os ganhos podem ficar aquém das expectativas, já que o julgamento, apesar de ter nome e sobrenome, não se restringiu aos réus. Quem sentou no banco dos réus foi a classe política, por conta de suas práticas, que não se prendem a essa ou àquela legenda. Agora mesmo, enquanto se discute a situação dos próceres do Partido dos Trabalhadores, como o deputado José Genoino, os tucanos estão às voltas com um escândalo de maior monta em São Paulo, por conta de fraude em licitações do transporte público. Em Minas, está na pauta da Justiça a análise do mensalão mineiro, no qual um dos personagens também é o publicitário Marcos Valério, ora cumprindo pena na Penitenciária da Papuda.

Quando foram às ruas, os manifestantes não nomearam os escândalos, preferindo demonizar a política como um todo. Foi algo perverso e equivocado, mas com justificativa ante tantas mazelas. A política ainda é via adequada para transformações, mas os parlamentares – sejam eles municipais, estaduais ou federais – precisam fazer o dever de casa, a começar pela elaboração de mudanças que estão sendo pedidas há muito tempo. A minirreforma, aprovada na semana passada pelo Senado, foi apenas um arremedo, pois as questões básicas, como o financiamento das campanhas, continuaram fora da pauta.

Tais inações, sim, é que vão nortear não só o voto mas também a volta às ruas, algo inevitável em 2014. Se houver juízo, o Congresso tem que tomar medidas sérias para mudar, afinal, deputados, senadores, governadores e candidatos a presidente estarão sob a tutela do eleitor, que não se restringirá a esse ou àquele escândalo, mas ao conjunto da obra.