PARQUE DO MEDO
A praça é do povo como o céu é do condor, mas até para isso há limites. Principal cartão-postal da cidade, o Parque Halfeld tornou-se um parque do medo em razão da ocupação imprópria que marca sua rotina. Como a Tribuna constatou, o local tornou-se espaço para a venda de drogas – a qualquer hora do dia – e prostituição, muitas vezes envolvendo adolescentes. Não é a primeira vez que o jornal aponta esse cenário comprometedor em pleno coração da cidade. A preocupação chegou ao entorno, levando órgãos como a Câmara Municipal e o Fórum a tomar medidas especiais de segurança, enquanto a Igreja São Sebastião, aos fundos, se cercou de grades.
Fechar o parque já não é uma discussão que em outras épocas teria certo tom de insanidade, por se tratar de uma área pública, livre e de grande circulação. Com a ocupação indevida, inclusive dos quiosques, a possibilidade entrou na pauta, embora seja prudente, primeiro, buscar outros caminhos, como políticas de ocupação permanente e segurança. Esta, aliás, é uma das principais demandas apresentadas pelos usuários.
A cidade mudou, e os espaços urbanos não são mais os mesmos, mas é fundamental que as instâncias públicas atuem para evitar a deterioração. Durante vários governos, o parque sofreu diversas intervenções, mas muitas delas são próprias da típica rotatividade de poder: um prefeito fazia alguma coisa, e o outro mandava tirar. Não houve continuidade nos projetos e nem ações profundas para sua recuperação. A maior delas já se perdeu no tempo e ocorreu ainda na gestão Mello Reis – que também causou polêmica.
O depoimento dos usuários, no entanto, é emblemático. Não há queixas contra os equipamentos, ficando restritas à segurança, que pode ser resolvida com medidas permanentes. Como as autoridades policiais garantem que estão levantando dados e nomes, é necessário, agora, partir para a retirada daqueles que confundem o Parque Halfeld com um espaço em que tudo pode, mesmo contra a lei e os bons costumes.











