NO DESERTO
Na primeira semana no ar, o horário eleitoral já apresentou o recorrente jogo de desconstrução do adversário e de promessas de mudanças. Faz parte do jogo, mas já é tempo de os próprios políticos inovarem suas posturas e apresentarem novidades ao eleitor, sob o risco de estarem pregando no deserto. A audiência de tais programas tem caído de ano a ano, mas a má notícia não para aí: os analistas políticos têm avaliado que o eleitor não se baseia mais (ou apenas) na propaganda gratuita, utilizando-se de outros filtros para fazer sua opção. Um deles é a própria mídia, que faz um acompanhamento sistemático das ações e reações dos candidatos. Neste início de jornada, por exemplo, a mudança de candidatura no PSB ocupou a maior parte do tempo das conversas.
Num tempo em que o cidadão comum se vê diante de informações em demasia, embora nem todas confiáveis, é de se considerar que será neste mercado que estará a referência para definição do voto. Desta forma, prometer que fará algo ou que deixará de fazer já não atrai mais a atenção, ainda mais com a televisão paga isenta de reproduzir tais programas. Há, ainda, outros agravantes. Muitos candidatos se valem de todos os artifícios para chamar a atenção, desqualificando a própria política. Travestidos de palhaços ou de outras figuras, tentam chamar a atenção sem se preocuparem, no entanto, com programas de governo ou propostas para uma vida legislativa decente.
No início, soa engraçado, mas perde a graça ao curso da campanha. Mas é necessário destacar que, se levado a sério e com programas robustos, o programa pode convencer o eleitor. O horário eleitoral, durante muito tempo, foi apenas um espaço do faz de contas, como na gestão do ministro (nada a declarar) Armando Falcão, quando o eleitor se via diante de slides e de um locutor lendo currículo e nomes, e nada mais. Nos tempos de hoje, quando as redes sociais trafegam informações em tempo real, talvez seja lá o verdadeiro espaço de sedução.











