NO MESMO SACO
Orientado pelo seu advogado, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, o bicheiro Carlinhos Cachoeira ficou em silêncio na CPMI que investiga suas relações com políticos e empresários. Usou uma prerrogativa concedida pela Constituição. Daí, não haver surpresa em sua atitude de não produzir provas contra si próprio e nem justificativa na irritação dos parlamentares, que tinham alguma ilusão em achar que ele iria jogar farofa no ventilador. Cachoeira visita CPIs há vários anos e sabe como elas começam e como terminam. Usou a arma que a lei de lhe faculta, certo de que, sem seu depoimento, pouco poderá ser feito para se apurarem os fatos.
No entanto, é aí que reside o engano. Se os deputados e senadores abrissem mão do teatro que eles mesmos criaram para fazer sucesso diante dos holofotes, o silêncio de Cachoeira seria mera formalidade no processo de investigação e confirmação de tudo o que foi apurado até agora. A Polícia Federal, há anos em sua cola, produziu farto material, já de posse da comissão parlamentar, que pode ser usado como prova e como elemento para indiciar culpados. Bastaria a Mesa destacar um grupo de técnicos, para ir a fundo nos documentos, que tudo estaria resolvido. A dúvida – que quase vira certeza – é se há interesse em se chegar a um bom termo nas investigações. O que se viu até agora foram jogadas para blindar aliados, como ocorreu com os governadores, senadores, deputados e empresários, em vez de ações para conhecer as relações do contraventor com as instâncias de poder.
O trabalho da CPMI deve terminar onde todos, com um mínimo de bom senso, já sabiam: uma grande pizza. Sua instalação foi um erro de estratégia dos partidos e de alguns atores políticos, ao pensarem que teriam em mãos um forte instrumento de questionamento ao adversário. Ledo equívoco. Já nas primeiras apurações, constataram que estão todos no mesmo saco.










