VERGONHA DE TODOS


Por Tribuna

24/04/2015 às 06h00

Prejuízos ocorrem em qualquer instituição, desde que haja problemas de gestão ou conjuntura econômica, por isso, fazem parte dos atos de comércio, mas, quando são decorrentes de corrupção, a situação muda de figura. E não se fala em pouca coisa. O balanço apresentado na quarta-feira – com atraso de quatro meses – pela Petrobras aponta prejuízo de R$ 21 bilhões e corrupção de R$ 6 bilhões. Os desvios representaram 3% de contratos de quase R$ 200 bilhões. O atual presidente da estatal, Aldemir Bendine, disse que se sentia envergonhado pelo que presenciou, embora ele só tenha assumido o cargo agora, na fase de recuperação da estatal.

O rombo é resultado do uso do dinheiro público em favor de terceiros, num ataque ao caixa sem precedentes na história da empresa, não devendo ser jogado na rubrica perdas e danos. O dinheiro da corrupção precisa ser recuperado para retornar ao seu verdadeiro dono: o povo brasileiro. Por conta disso, é fundamental o papel dos órgãos envolvidos na investigação como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário.

Um assalto de R$ 6 bilhões não é resultado de atos isolados, apontando para uma cadeia de eventos que passou por vários setores públicos e privados, muitos deles ora prestando contas à Justiça, mas com indícios de que há muito mais.

A vergonha do presidente da Petrobras é a vergonha de todos, pois é inadmissível pensar que recursos tão expressivos tenham sido saqueados ao longo dos anos sem que se dessem conta. Ou, o que é pior, que tenham sido percebidos e nada tenha sido feito.