JOGO MARCADO


Por Tribuna

23/11/2012 às 07h00

No jargão político, diz-se que todos sabem como começam as comissões de inquérito, mas é impossível prever seus resultados. Trata-se de uma máxima que está caindo em desuso, pois as conclusões das CPIs, pelo menos as últimas no Congresso, são conhecidas desde o início, isto é, não chegam a lugar algum, tornando-se pizzas para deguste de um país que não fica, sequer, perplexo com esse jogo de cena que pauta os eventos em Brasília. No caso da CPI do bicheiro Carlinhos Cachoeira, durante meses, foram feitas várias convocações, sinalizando que haveria luz no fim do túnel, mas o relatório do relator, Odair Cunha (PT-MG), é mais um libelo partidário do que um documento que deveria ser vetor para novas investigações.

A questão não é apenas o desconforto da opinião pública, mas também o custo desse empreendimento. As audiências significam transporte e alimentação dos envolvidos, numa logística que serviu apenas para reforçar a ação para a plateia de um trabalho que não envolveu personalidades importantes que apareceram ao curso das investigações. O ex-senador Demóstenes Torres, por exemplo, perdeu o mandato por ação de seus pares por conta do decoro parlamentar, mas ficou longe da CPI. Vale o mesmo para a Construtora Delta, que esteve no centro de todos os depoimentos, assim como seus dirigentes, e até o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). Não que ele estivesse envolvido, mas deveria, pelo menos, ter sido ouvido, como ocorreu com seu colega de Goiás, Marconi Perillo.

A previsibilidade das comissões de inquérito tornou-se uma questão recorrente, comprometendo sua eficácia, como também foi registrado na CPI que apurou o escândalo no Distrito Federal, envolvendo o governador e vários parlamentares. A Câmara, a despeito de todos os dados, se recusou a cassar a deputada Jaqueline Roriz, dando-lhe alforria num caso em que foi flagrada recebendo propina.

Ao olhar leigo, quando se fala numa investigação de tal monta, entende-se que há fortes indícios para uma conclusão resultante em punição para os culpados. Quando os trabalhos passam à margem do viés político, isso é possível. No entanto, quando a ação de maioria fica responsável pela pauta, sabe-se que o resultado irá atender apenas interesses corporativos.