DINHEIRO PÚBLICO
O uso de dinheiro público continua sendo uma demanda a ser resolvida nas várias instâncias, a começar pelo Congresso Nacional, onde o abuso – se for mesmo confirmado – começa por um gesto do presidente da Casa, senador José Sarney. Ele teria contratado um serviço de consultoria para melhorar a sua imagem, pois considera estar desgastado em função do próprio cargo que exerce e pelos escândalos da instituição que comprometem a sua gestão. Até aí, nada demais, uma vez que todo político deve zelar pela sua imagem, e, em tempos de marketing para tudo quanto é atividade, a contratação de uma equipe não tem empecilhos. O detalhe, porém, inverte a lógica da tentativa do senador porque o pagamento seria feito pelo próprio Senado.
Quando se fala em Senado, fala-se em órgão público; e quando se fala em órgão público, fala-se em dinheiro pago pelo cidadão mediante tantos impostos que caem em sua conta por mês e a cada virada de ano. O senador, portanto, estaria querendo mudar a sua imagem às custas do consumidor. A divulgação, no entanto, não só joga por terra os seus planos, mas também compromete ainda mais a sua imagem. E não há, sequer, o indício de ser primário. O Ministério Público está abrindo ação para saber em que termos se deu a estatização da Fundação que leva o nome do ex-presidente, em São Luiz, no Maranhão, que passaria a ser custeada pelo dinheiro público. A governadora Roseana Sarney, filha do senador, é autora da mensagem estabelecendo a mudança do órgão financiador.
O caso chama a atenção, mas não é o único. O país é pródigo no patrimonialismo, pelo qual se faz uso do que é público para interesse privado. Mais do que isso, sem qualquer constrangimento, sob o falso argumento de que o dinheiro, nesses casos, não tem dono. Trata-se de um deliberado equívoco, uma vez que, além de ter dono, ele tem destino, mas em nenhuma dessas situações se diz que deva ser aproveitado por alguns poucos em detrimento da maioria.










