ALÉM DO LIMITE


Por Tribuna

23/10/2014 às 07h00

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Dias Toffoli, em entrevista ao jornal “O Globo”, se disse impressionado com o nível da campanha presidencial, especialmente no segundo turno, quando, segundo ele, os níveis de ataques foram bem mais intensos. Ele lamentou o episódio e cunhou a expressão de que a escolha, hoje, virou uma campanha do voto no menos pior. Ele justificava, de uma certa maneira, a intervenção do TSE no horário eleitoral do segundo turno, quando foram proibidos os vídeos com ataques mútuos, sobretudo resultado dos debates na televisão.

O processo de desconstrução, que ganhou força já no primeiro turno, é uma tática política com resultados imediatos, mas também perigoso, sobretudo quando há a polarização de segundo turno. Os ânimos estão acima dos limites, e há sempre a possibilidade de que não cessem depois das eleições. Quem vencer o pleito de domingo deve estar pronto para uma longa jornada de conciliação, pois os embates, sobretudo os da televisão, serão transferidos para a sociedade.

Até mesmo o Congresso será espaço de repercussão desse cenário de divisões. Com quase 30 partidos, ele será palco não apenas do embate mas também de negociações duras, fruto do pesado jogo de campanha. A Presidência da República terá que se esforçar para pacificar os adversários e conter o ânimo dos aliados, pois estes, certamente, irão cobrar uma conta bem maior do que a prevista.

Faltando apenas um debate, cabe aos candidatos a decisão de chegar ao pleito com o foco voltado nas urnas e não nos defeitos do oponente, sobretudo quando estes estão fora do cardápio eleitoral. Dilma Rousseff e Aécio Neves foram além do razoável, cabendo, pois, a eles, agora, colocar a campanha nos trilhos e deixar para o eleitor, sem pressões, a escolha nas urnas.