PROMESSAS VÃS


Por Tribuna

23/09/2012 às 07h00

Se há algo em comum nas campanhas políticas, as promessas são a principal referência. Tanto nos pleitos municipais – como ora em curso – quanto nas disputas nacionais, o discurso dos candidatos é permeado por todo tipo de proposta. Não haveria nada de mais se não fosse por um detalhe: a maioria não tem condições de sair do papel, e, quase todas, fruto do vício de origem, isto é, o político promete o que não é de sua competência. Executar obras, elaborar programas, entre outras metas, são temas recorrentes no horário eleitoral, como se o vereador, principalmente, tivesse o poder da transformação. Até mesmo os postulantes ao cargo de prefeito costumam ir além da conta, com discursos do tudo podem, quando se sabe que também para eles há limites.

Na edição deste domingo, no Voto & Cidadania, caderno especial da Tribuna tratando das eleições, o tema é avaliado pelo cientista político Raul Magalhães, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, quando ele adverte para tais situações, embora não as considere um pecado mortal. De fato, é preciso distinguir o discurso, mas é fundamental estabelecer que nem todos fazem promessas de boa fé. Há, é certo, os que vão para os palanques ou para os microfones convencidos de que podem realizar o que prometem, mas há, também, aqueles que tentam apenas convencer o eleitor de suas impossibilidades.

As eleições municipais se diferem em vários aspectos das disputas nacionais, e um deles se situa na possibilidade de cobrança pelo eleitor. Vereadores e prefeitos têm uma convivência diária com o povo, o que exige cuidado com o que falam em campanha. Este ano, como aponta o jornal, várias promessas são inexequíveis, mas estão nos palanques, numa repetição de outros pleitos. Cabe ao eleitor ficar atento, não apenas para cobrar depois, mas para entender, antes de ir à urna, que deve escolher seu candidato com zelo, a fim de evitar o balcão dos que esperam o que jamais virá ou será feito.