INTOLERÂNCIAS
O noticiário tem sido pródigo em apontar brigas de trânsito que culminam em agressões e até em situações mais graves, como homicídios, indicando que os tempos são de intolerância em várias frentes. Com uma pressa refletida do tempo real da internet, na qual tudo ocorre ao mesmo tempo, o cidadão dessa pós-modernidade tornou-se um impaciente crônico. No futebol, a semana foi marcada pelas agressões a jogadores do Fluminense, em razão de mais uma derrota no Campeonato Brasileiro, embora o clube feche a semana na quinta posição. O jogador Fred, pelo Facebook, chamou os agressores de bandidos, apontando que o lugar deles era na cadeia. Ele também foi intolerante ao classificar quem não trabalha à tarde como vagabundo. Muitos têm outros turnos, daí a fragilidade do exemplo.
Mas na essência o jogador está correto ao pedir punição para aqueles que confundem torcida com controle, como se tivessem direito de vida e morte sobre os jogadores. E não têm. Os chamados torcedores profissionais, ou membros das conhecidas torcidas organizadas, devem ser retirados dos estádios e impedidos de entrar nos clubes, uma vez que não contribuem em nada para o desenvolvimento do esporte. Mas aí, a principal responsabilidade é dos próprios dirigentes, que alimentam seus mandatos beneficiando esses grupos, mesmo em detrimento do próprio clube. São raros os exemplos em que os vândalos são punidos.
No ano passado, embora o time tenha sido campeão mundial em 2012, torcedores invadiram o centro de treinamento do Corinthians e ameaçaram os jogadores. E nada aconteceu. Um destes torcedores tem mandato de vereador numa das cidades-satélites de São Paulo, mas sua principal profissão é de agressor. Já foi indiciado várias vezes, mas continua sendo visto nos estádios praticando suas insanidades.











