PARA PREOCUPAR
Políticos de quase todos os partidos estão preocupados com as eleições do ano que vem. Não se trata de algum tipo de apreensão em relação às passeatas que ocorreram pelo país afora, mas ao simbolismo que demonstraram no mês passado. A maioria das manifestações teve o viés apartidário, até mesmo repúdio aos partidos e aos seus representantes. Se esse sentimento se transfere para as urnas, a renovação do Congresso, hoje tradicionalmente em torno de 50%, pode ser bem mais expressiva. Como as ruas também demonstraram um afastamento ideológico, colocando, equivocadamente, todos no mesmo saco, qualquer previsão, hoje, tem dificuldades de ir adiante ante ao leque de possibilidades que se desenha no cenário eleitoral.
Neste pouco mais de um ano antes do pleito, o melhor caminho é criar uma agenda positiva – não de plena submissão, mas de demandas que deveriam ter saído do papel, ora emperradas pelo jogo de interesse que marca as instâncias legislativas. A própria reforma política, que parece ter sido a única questão que os parlamentares e o Governo fazem questão de levar adiante, embora não tenha sido, sequer, o ponto central dos questionamentos, precisa avançar, mas dela não se devem esperar milagres. Os eleitores não devem considerá-la o antídoto contra todos os males, pois não é. O que se esperam são regras contemporâneas, próprias dos novos tempos das relações políticas.
O pleito de 2014, por ser geral, chama a atenção pelos cargos que estão em jogo, como Presidência da República e governos estaduais, além das casas legislativas, mas há questões tão importantes que podem entrar em discussão imediatamente, a começar por regras de controle do uso do bem público. Os abusos não se esgotam apenas nos aviões da FAB que cruzam o país com autoridades, mas também no zelo com empreendimentos que não saem do papel e que, quando saem, ficam pelo caminho, como verdadeiros esqueletos que consumiram tempo e dinheiro e não deram solução.
Um dos pontos frágeis está na própria infraestrutura do país, que passou anos sem investimentos e que agora cobra a conta nas instâncias econômicas. Criou-se uma nova geração de consumidores, mas falta meios para atender a essa nova demanda. Por isso, os políticos, de fato, têm muito com o que se preocupar.











