SEM CONSENSO
Terminou ontem a Rio+20, e o resultado divide opiniões. Para organizações não governamentais e para boa parte da opinião pública, o texto final não contemplou as expectativas, mas o Governo brasileiro celebra, e o próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, depois de críticas iniciais, admitiu que foi o que se esperava. Teria sido motivado a mudar de opinião ao saber da reação da anfitriã, a presidente Dilma Rousseff. De fato, a chefe do Governo mostrou seu estilo em várias ocasiões, inclusive ao refutar questionamentos de outros dirigentes. Ela disse que fracassos foram encontros como o mais recente em Copenhague, na Dinamarca, mas tudo faz parte de um processo em que os interesses são múltiplos e em várias dimensões. O documento final, tímido para uns, suficiente para outros, é resultado de dias de negociações, mas deixou patente que a questão ambiental não tem consenso.
No Brasil, o caso mais emblemático é o Código Florestal, que, depois de aprovado pelo Congresso, recebeu vários vetos do próprio Governo, e não foi por falta de conversa. O documento passou meses sendo discutido, mas, de novo, também enfrentou o jogo de interesse. De um lado, os ruralistas cobrando medidas mais brandas e multas menores em função dos desmatamentos já provocados. De outro, segmentos envolvidos com a causa ambiental, insistindo em dizer que o texto é frágil no controle das florestas, dando margem para depredações.
Encontros como a Rio+20 são importantes para colocar a pauta ambiental na mesa, sobretudo num momento em que críticos radicais preferem colocar em xeque o excesso de gastos com tais eventos, preferindo encontros menores e de maior substância. É necessário, porém, destacar que tais eventos, como o do Rio, fundamentalmente servem para colocar sob o mesmo teto líderes mundiais de pensamentos distintos, mas sabedores de que a questão do meio ambiente não se esgota em suas fronteiras. É uma causa global.










