OLHO NAS URNAS
As primeiras ações dos governadores empossados em 1º de janeiro indicam que mal desceram de um palanque já estão de olho no de 2016, quando estarão em jogo os cargos de prefeitos e vereadores, a fim de consolidarem suas ações em sua jurisdição. Nas cidades de grande e médio porte, a cena se repete. No Rio, o prefeito Eduardo Paes levou para o seu primeiro escalão boa parte da equipe do ex-governador Sérgio Cabral. Em Belo Horizonte, o socialista Marcio Lacerda faz o mesmo com os tucanos da equipe de Antonio Anastasia, enquanto, em São Paulo, o petista Fernando Haddad abre espaços para colegas derrotados nas urnas, como Eduardo Suplicy e Alexandre Padilha, a fim de criar um escudo contra a também petista Marta Suplicy.
Faz parte do jogo, mas tais articulações têm também o seu preço, como de criar dependências em nome de investimentos e criar problemas na base que foi às urnas e agora se vê induzida a conviver até mesmo com antigos adversários. Em Salvador, o governador Ruy Costa (PT) demitiu a secretária de Agricultura com apenas 29 dias de cargo por causa do alinhamento de seu partido, PDT, com o prefeito ACM Neto (DEM). Os pedetistas queriam ficar na base do governador e do prefeito tentando agradar dois senhores ao mesmo tempo. Não deu.
Com a centralização do poder financeiro na União, governadores e prefeitos precisam gerenciar acordos para se fazerem ouvidos nos gabinetes de Brasília. Basta ver a nomeação de secretários da pasta de Esportes em Minas, São Paulo e Juiz de Fora – para ficar só nesses casos -, a fim de se obter um link com o ministro George Hilton. Há uma lógica não compreendida pelas ruas, mas que vale nos bastidores do poder.
Em Juiz de Fora, a despeito do silêncio que envolve os principais atores, a sucessão municipal também está em curso tanto no gabinete quanto nas demais legendas. Há um entendimento político indicando que os acordos não podem ser fechados de última hora, sob o risco de não se efetivarem. Em nome dessa norma informal, a ciranda permanece. Os eleitos estão sempre de olho no próximo pleito.











