TERCEIRA IDADE


Por Tribuna

22/12/2012 às 07h00

Juiz de Fora foi uma das cidades que mais avançaram em políticas de proteção ao idoso. Os dados apresentados pela Universidade, em parceria com a Comissão Especial – agora permanente – da Câmara Municipal, são resultado de diversas ações em defesa da terceira idade, mas ficou claro, no próprio diagnóstico, que ainda há passos importantes a serem dados, já que o documento, nessa fase, traçou o perfil. A partir daí, cabem as decisões para garantir a dignidade de uma população em curva crescente não só em Juiz de Fora mas em todo o país. Com a expectativa de vida aumentando, passar dos 60 anos não é mais algo estranho e nem indicador de imobilidade. Ao contrário, se, no passado, a chegada aos 50 já era associada à aposentadoria e a uma vida sedentária, os tempos são outros, o que leva os governos a tomarem providências para esse novo cenário.

Os problemas, porém, não se restringem às questões de governo. Os primeiros entraves da terceira idade começam dentro da própria casa, uma vez que boa parte dos idosos continua sendo o mantenedor, gerando receita e liderando a família. Dados policiais sobre a violência indicam com regularidade que boa parte das ocorrências em que os idosos são vítimas tem como autores os parentes mais próximos ou pessoas responsáveis pela guarda. A cidade viveu experiência recente em que duas senhoras foram encontradas em uma residência vivendo sob plena privação, a despeito de terem imóvel e renda para uma vida diferente.

Nas ruas, os idosos enfrentam problemas de acessibilidade e de assédio. Os legisladores têm estado atentos em Juiz de Fora com a elaboração de leis para inibir, sobretudo, a pressão de bancos e operadoras de empréstimos, mas ainda é necessário avançar na criação de um organismo responsável pela ação direta, como a pleiteada delegacia, e implementação de campanhas educacionais. Quem ainda não chegou à terceira idade deve ter consciência de que chegará a sua vez.