PAUTAS-BOMBA


Por Tribuna

22/09/2015 às 07h00

A falta de uma base consistente, fruto da ineficiência do próprio Governo, deixa a presidente Dilma Rousseff nas cordas, uma vez que o Congresso, a despeito de toda a situação econômica, insiste na aprovação de pautas-bomba, sem medir as suas consequências. Muitas delas têm apelo popular, o que, na avaliação dos deputados e senadores, justifica o risco, mas o resultado final será problemático, salvo se a estratégia, de fato, seja encurralar o Executivo e levá-lo à lona.

Diversos projetos em tramitação no Parlamento têm um custo extremamente alto, e sua aprovação contraria preceitos mínimos de razoabilidade, num momento em que o sacrifício está sendo cobrado apenas da população, com a adoção de novos tributos. Um levantamento do jornal “Folha de S. Paulo” revelou que o Congresso aprovou projetos que gerarão, caso vigorem, gastos anuais de R$ 22 bilhões, bem perto dos R$ 26 bilhões que o ministro Joaquim Levy quer cortar. Entre eles estão o reajuste do Judiciário, a extensão a todos os aposentados da política de valorização do salário mínimo e a criação da opção como o fator previdenciário.

São todas demandas justas por causa das perdas que foram registradas no decorrer dos anos, especialmente dos aposentados que recebem mais de um salário mínimo, mas o momento é problemático, exigindo veto do Planalto. Sem apoio suficiente, a presidente corre o risco de ver seus eventuais vetos derrotados. E aí, os resultados são imprevisíveis, formando um cenário de plena incerteza, tanto na política quanto na economia.