INTERESSE PÚBLICO
Há um claro entendimento de que o interesse público deve prevalecer sobre interesses particulares, como numa cópia da vontade geral de Jean Jacques Rousseau. A cracolândia que se instalou entre as ruas Benjamin Constant e José Calil Ahouagi, Centro da cidade, tornou-se um problema que não pode esperar o desembaraço burocrático que marca a questão. Se há pendências tributárias, como diz a Municipalidade, ou se o espaço é isento, como aponta a direção do Tupi, tal impasse pode ser discutido numa fase posterior, desde que sejam feitos, agora, todos os registros fotográficos ou qualquer outro meio de prova para ver quem tem razão. O que não pode é esperar o agravamento da situação.
Como a Tribuna mostrou na edição de ontem, moradores e comerciantes da região – e também os transeuntes – são forçados a conviver com cenas degradantes de consumo de drogas à luz do dia e com a insegurança constante causada pelos furtos e roubos praticados, sobretudo, por usuários de entorpecentes. A polícia diz que já pediu as autoridades para a tomada de providências, como a notificação dos proprietários. Esta, por sua vez, diz que já tomou as medidas legais necessárias.
O consumo de crack em espaços públicos tornou-se um problema das metrópoles, que só agora estão reagindo e fazendo remoções forçadas. No caso de Juiz de Fora, ainda há tempo para a tomada de medidas sem grandes dificuldades. Mas se nada for feito, à espera de uma solução jurídica, o problema tende a se agravar.
O enfrentamento às drogas não é mais uma questão exclusiva de polícia, tornando-se também um tema de saúde pública e Estado. Os usuários da cracolândia carecem de ajuda, é fato, mas não num local inapropriado como este, colocando em risco a vida e o patrimônio de terceiros. Dar fim àquela cracolândia, respeitando o viés social de remoção, é uma questão fundamental.











