SÓ ESPECULAÇÃO
O julgamento do mensalão ainda vai passar por várias etapas, como a dos relatórios dos ministros Joaquim Barbosa, relator, e Ricardo Lewandowski, revisor, mas já é possível antever que o resultado, seja a favor ou contra os réus, terá repercussão na vida nacional. A dimensão do caso – o maior da Suprema Corte ao curso de sua história – não se esgota na importância dos envolvidos, mas, também, pelo seu significado. Os partidos políticos irão levar a discussão para os palanques, fato que pode ter implicações diretas na opção do eleitor.
No fim de semana, vários segmentos se dedicaram a especular o voto dos ministros, num exercício sem sentido, pois os autos ainda estão em fase de apresentação, a despeito da defesa já feita pelos representantes dos réus. Se é possível antecipar que o julgamento terá repercussão, não se pode dizer o mesmo de como os ministros vão agir. Num sistema em que cabe ao presidente a escola dos membros do STF – e quase todos saíram da caneta do ex-presidente Lula -, mesmo assim é equivocado dizer que este ou aquele irá votar de determinada maneira, com base no seu histórico de condenações ou absolvições, ou até mesmo por conta do padrinho que o indicou.
O mensalão, mesmo ante o discurso de ter um julgamento técnico, tem forte componente político, mas os magistrados são detentores do livre convencimento. E é com base nessa prerrogativa que antecipar o voto pode ser um erro, já que nem os próprios ministros estão certos de como vão votar seus colegas.










