SALVE ITARARÉ
Dentre as muitas citações que deixou para o glossário popular, o jornalista Apparicio Torelly, o Barão de Itararé, dizia que de onde menos se espera é que não vem nada mesmo. Atualíssima observação quando se trata do Congresso Nacional. A CPI do Cachoeira, que terminou numa grande pizza, aprovando um relatório mequetrefe apenas para justificar os votos, começou sob a desconfiança da opinião pública, que, desde o início, já não esperava nada. E, como desfecho, não produziu nada mesmo. As milhares de páginas escritas pelo relator foram jogadas no lixo, após meses de discussões e de consumo do dinheiro público em investigações. Ao não indiciar ninguém, apesar das robustas provas, a CPI tornou-se um jogo de cena, no qual prevaleceram interesses menores a despeito dos personagens envolvidos.
Quando o deputado Marco Maia, presidente da Câmara, engrossou a voz para resistir às decisões do Supremo Tribunal Federal, por conta de ingerência de outro poder, criou-se a impressão de um discurso tipo nós sabemos resolver os nossos próprios problemas, mas duas demandas, em menos de dois dias, mostraram o quanto o Poder Legislativo atira no próprio pé. Primeiro, foi a CPI que deu em nada. Depois, a bizarra tentativa de se votar cerca de três mil vetos para, aí sim, chegar à questão central: o veto da presidente Dilma Rousseff à redistribuição dos royalties do petróleo. Como ele não poderia furar a fila, o presidente do Congresso, José Sarney, decidiu pela votação em bloco. Recuou, mas o fato foi registrado.
O emblemático é que, para chegar a essa decisão, os deputados, em vez de resolverem seus próprios problemas, recorreram ao Supremo, que, por meio do ministro Luiz Fux, lembrou que havia um regimento interno a ser seguido. Desta forma, a polêmica foi para o fim da fila, mantendo o impasse entre os estados federados. Desta forma, ao terminar o ano, a despeito da solidez das instituições, o país assiste a um confronto entre governadores, por conta do dinheiro do petróleo, e a um impasse envolvendo Legislativo e Judiciário, fruto do julgamento do mensalão.











