No meio do bate-boca entre ministros – que fragiliza a própria Corte -, o novo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ayres Britto, admitiu que, se o mensalão não for julgado ainda neste primeiro semestre, ele só entra na pauta em 2013. O revisor do processo, Ricardo Lewandowski, garante que entrega seu relatório a tempo, mas há um novo empecilho. Seis dos 11 ministros estarão empenhados nas eleições municipais, não tendo, pois, tempo para atenderem a duas demandas importantes. Como as eleições estão marcadas para 7 de outubro e o segundo turno, para dia 28 do mesmo mês – e ainda há um recesso no meio – somente a partir de fevereiro do ano que vem será possível colocar a matéria na pauta.
A questão do tempo não seria relevante em uma ação comum, mas há aspectos que pesam a favor do imediatismo. Um deles foi levantado pelo próprio Supremo, quando o revisor admitiu que algumas penas podem prescrever. Datado de 2005, o mensalão completa sete anos sem uma sentença de mérito. A pressão para votação se mantém, sobretudo nas ruas, mas as chances são cada vez mais escassas. O STF tem se esforçado em não ser pautado pela opinião pública.
O adiamento da votação é problemático, sobretudo, por ser o caso mais emblemático dos últimos anos das relações incestuosas entre as instâncias pública e privada. A despeito do sigilo dos autos, o material levantado e divulgado pela imprensa é prova material do patrimonialismo, que, pelos fatos, se manteve intacto, como mostra, agora, o envolvimento de políticos com empresas privadas e, principalmente, com um dos capos dos caça-níqueis da região central do país. Manter a matéria fora da pauta não causa dano direto ao julgamento, mas deixa a cidadania angustiada pela incerteza.










