JOGO DE PODER II
O que se assiste na Esplanada dos Ministérios, na discussão sobre o primeiro escalão do Governo, é algo inimaginável até bem pouco tempo, sobretudo pelo modo de operar da presidente da República. O PMDB, além de dizer que foi responsável pela queda do ministro Cid Gomes, agora pensa em formalizar uma proposta de reforma administrativa, cortando quase pela metade o número de ministérios, hoje, 39. A proposta é boa, mas a fonte dá margem a especulação, pois vem do mesmo partido que mais briga por cargos entre os aliados. O argumento é que o Governo daria exemplo para implementar a reforma fiscal. Por enquanto, a presidente Dilma Rousseff diz que não haverá reforma alguma, pois entende que o problema se situa em outro ponto.
O fato é que o país fecha a semana com o jogo de poder em plena execução. Depois das manifestações de domingo, as medidas anunciadas pelo Executivo não surtiram efeito, a começar pelo projeto de combate à corrupção, que não trouxe novidades de curto prazo. A maioria de suas propostas não tem execução imediata, frustrando a opinião pública, que tem um timing diferente, entendendo que não dá mais para esperar. Dilma, como dizem os seus mais próximos, está acuada não só pelas ruas mas também pelo seu principal aliado.
Os próximos dias serão emblemáticos, pois os problemas se acumulam em várias frentes. Quando se diz que a economia é o ponto de referência, é para indicar que, se esta estivesse nos trilhos, as demandas políticas poderiam fluir sem solavancos. No entanto, com os números preocupantes e um cenário futuro de incertezas, todos os demais problemas ganham outra dimensão.











