RISCO PERMANENTE


Por Tribuna

20/11/2011 às 07h00

Na madrugada de quinta para sexta-feira, em Campinas, o lutador de jiu-jítsu Caio César Alves Muniz estava utilizando um telefone público quando foi atropelado por um carro de luxo que, junto com outro veículo, também de luxo, participava de um pega pelas ruas da segunda maior cidade paulista. Morreu na hora. A atropeladora, uma mulher de 42 anos, foi presa após o teste do bafômetro acusar nível de álcool acima do permitido.

A combinação álcool e volante tem sido responsável pela maioria dos acidentes nas cidades brasileiras – e geralmente nas madrugadas – confirmando a importância de se aperfeiçoar a Lei Seca, já que o primeiro modelo tornou-se frágil. A despeito de indiciar, inclusive autoridades, ele era vencido pelo simples pagamento de multa quando o motorista flagrado se recusava a fazer o teste, sob o argumento de não fazer prova contra si mesmo.

Juiz de Fora se prepara para uma campanha intensa, com data ainda a ser definida, mas que não pode demorar. O consumo aumenta no fim do ano e, com ele, as consequências trágicas. A Secretaria de Defesa Social, dirigida pelo deputado Lafayette Andrada, já fez as primeiras incursões em Belo Horizonte e na região metropolitana, mas ainda deve a mesma operação nas cidades-polo, entre elas Juiz de Fora.

O país tem que vencer a cultura da impunidade, sob o risco de ter problemas permanentes em todas as frentes. A violência, seja no trânsito ou nas escolas, carece de repressão, campanhas educativas e punições posteriores. O número de mortes no trânsito é de fazer inveja a qualquer conflito armado em qualquer parte do mundo. O povo se impressiona com as ocorrências, sobretudo no Oriente Médio, mas não percebe que o pior está na sua cidade, no seu bairro, na sua rua; pois, ante motoristas embriagados, ninguém está seguro. Nem mesmo dentro de casa.