UM ANO E TANTO
O ministro Celso de Mello, antes mesmo de desempatar a votação no Supremo e acolher os argumentos da defesa, já havia dito que não se submete à pressão das ruas; o mesmo disse o novato Luiz Roberto Barroso, quando acolheu a possibilidade dos embargos infringentes. Estes foram contestados pelo ministro Marco Aurélio Mello, lembrando que ambos são pagos pelo povo, não devendo, pois, agirem tão apartados da opinião pública quanto disseram. No entanto, são apenas detalhes retóricos de uma Corte que gosta de discurso. Para dizer o que todo mundo já sabia, o decano levou duas horas, o que os especialistas afirmaram ser o seu sermão da montanha. Segundo ele, o STF tem que garantir ampla defesa aos réus.
No primeiro momento, a opinião pública se frustrou enquanto réus e defesa comemoraram, mas ainda é cedo para dizer que tudo acabou em pizza. Acolher um novo recurso não significa, nem de perto, absolver os réus. O próprio Celso de Mello, quando votou o mérito, emitiu uma das mais duras sentenças, não medindo, sequer, adjetivos pouco comuns ao seu estilo polido de se manifestar. Além disso, o novo relator, Luiz Fux, seguiu todos os votos de Joaquim Barbosa, prenunciando que não haverá vida fácil para os réus.
De fato, ao optar pela legalidade, o Supremo frustrou as ruas que desejam dar fim a um processo tão longo e de tamanha visibilidade. Desde 2005, o mensalão está na pauta da Corte e só deve – pelos novos fatos – ser concluído no ano que vem. E aí deve entrar o elemento político: o tema, inevitavelmente, voltará aos palanques eleitorais, colocando mais gasolina na fogueira, por conta das campanhas.
Será um ano e tanto, com Copa do Mundo, eleições gerais e, de novo, o mensalão. Dois mil e catorze promete.











