FESTA DE MOMO


Por Tribuna

20/08/2013 às 07h00

Na relação de custos e público apresentada pela Tribuna na edição de domingo, o leitor se surpreende com os dados. Alguns espetáculos, a despeito dos investimentos, têm pouca adesão, abrindo a discussão sobre sua viabilidade. Mas têm defesa. O serviço público não pode agir por essa ótica, sob o risco de impedir a multiplicação de atores culturais, já que nem todos são campeões de audiência, mas têm um expressivo valor para a cidade. Entre estes, e pelos números de hoje, está o próprio desfile das escolas de samba. Se em outros tempos ele lotava a Avenida, quando ainda ocorria na Avenida Rio Branco, atualmente, na Avenida Brasil, a presença de público, se comparada ao que foi gasto, é tímida. Em 2013, de acordo com a Funalfa, 16 mil pessoas estavam no evento, levando-se em conta até mesmo quem estava desfilando. O repasse para os desfiles foi de quase R$ 1,5 milhão, enquanto o Corredor da Folia, com recursos da ordem de R$ 350 mil, mobilizou cerca de cem mil foliões.

Há vários fatores em discussão nessa distorção, que precisam ir para a mesa dos organizadores, foliões e especialistas, além, é claro, das autoridades públicas. Não é de hoje que o carnaval de rua, no formato de desfile, já não é mais o mesmo. A decisão de antecipá-lo em uma semana foi temerária – embora sirva de experiência para 2015 -, repetindo a fórmula de cidades do interior com seus carnavais fora de época. A diferença, porém, é que a maioria que foge dos dias oficiais faz carnaval de rua, como o próprio Corredor da Folia.

Os radicais consideram que a cidade tem que mudar o formato e acabar com os desfiles das escolas de samba, mas trata-se de uma solução extremamente radical, uma vez que, mesmo com o número cada vez menor de participantes, o desfile ainda faz parte da história da cidade, com agremiações de grande tradição, que não podem ser apartadas da festa. Algumas administrações tentaram fazer um evento diferente, com trio elétrico, seguindo o modelo baiano de levar o povo às ruas. No entanto, são situações distintas. Do jeito que está, porém, o carnaval tornou-se um problema, daí a necessidade de se discutir o seu futuro e buscar maneiras de otimizá-lo para atrair o público.