DINHEIRO PÚBLICO


Por Tribuna

20/07/2013 às 07h00

Sob bom senso, ninguém é contra a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados fazer um jantar ao custo de R$ 28 mil, tendo no cardápio queijo brie ao molho de caramelo e champanhe, desde que o pagamento seja rateado entre os convivas, como bem recomendou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). Mas não foi isso que ocorreu. O ágape palaciano correu às expensas do dinheiro público, tendo na pauta a reforma política; e foi o primeiro de uma série, como avisou o presidente do Legislativo, Henrique Eduardo Alves.

Tal questão é, no mínimo, inoportuna, pois, no momento em que a sociedade cobra sobriedade das instâncias públicas, tal gasto soa como um escárnio à própria opinião pública. As manifestações de rua tiveram na pauta a probidade com o recurso público, algo que faltou no encontro dos parlamentares. Pode até parecer uma demanda menor, mas é mostra do que pode ocorrer em eventos de porte mais expressivo. Ademais, o valor não é o principal. O exemplo, sim.

O uso do bem público tem sido um desafio permanente das instâncias de poder. Basta ver a farra com os aviões da Força Aérea Brasileira que cruzam os céus com autoridades e seus convidados para eventos meramente particulares, como assistir à decisão da Copa das Confederações ou ao casamento da filha de um amigo. De episódio em episódio, é possível aferir o custo total desse patrimonialismo sem fim, só agora desnudado pelas ruas, esgotadas com tanto desperdício.