Incidente desnecessário


Por Tribuna

20/06/2015 às 04h00- Atualizada 03/05/2016 às 08h21

A não visita dos senadores brasileiros da oposição aos presos políticos da Venezuela, do ponto de vista dos visitantes, foi um sucesso. Criou-se um incidente diplomático sem necessidade, pois bastava permitir o encontro e não haveria tanta repercussão. Agora, o Governo brasileiro, que tem uma boa relação com o regime de Nicolás Maduro, terá que pedir explicações, sob o risco de conivência e de afronta ao Congresso brasileiro. Se deliberada, a tática oposicionista deu certo. Se não, contou com a colaboração do anfitrião, que não percebeu uma possível armadilha política.

O jogo político tem nuances próprias, que começaram a se desenvolver ainda no Brasil, quando as autoridades venezuelanas avisaram que não iriam permitir o pouso de uma aeronave da Força Aérea em seu território, sob o risco de abatê-la pela falta de autorização. Naquele momento, criou-se um cenário de embate que poderia ter sido resolvido pelo diálogo. Nesse aspecto, também às autoridades brasileiras faltou percepção do que estava em jogo. Tão logo os incidentes ganharam as redes sociais, um irado Renan Calheiros – presidente do Senado – ligou para a presidente Dilma Rousseff cobrando providências. Na Câmara, o presidente Eduardo Cunha fez o mesmo.

Os desdobramentos são incertos, mas quem ficou com a conta foi a presidente da República, em mais um lance do longo processo de enfrentamento com a bancada oposicionista e, especialmente, com o seu adversário direto Aécio Neves. Por uma questão de soberania, o Planalto deve protestar contra os possíveis constrangimentos à delegação brasileira e ao veto à visita aos presos políticos. Foi o típico caso da casca de banana. Colocada, os governos do Brasil e da Venezuela viram, mas, mesmo assim, pisaram e acabaram escorregando.