TIMES EM CAMPO


Por Tribuna

20/05/2012 às 07h00

As convenções municipais estão programadas apenas para o mês que vem, mas o eleitor pode perceber que os times já estão em campo não só na busca dos votos, mas também no debate de demandas internas. O caso mais emblemático é o do PMDB. Partido que abrigou, em sua trincheira, nos anos de chumbo, diversas tendências, ainda tem problemas oriundos dos tempos em que era uma verdadeira confederação ideológica. O dilema é a opção pela candidatura própria ou pela aliança com o Partido dos Trabalhadores (PT), defendidas pelos seus dois principais atores. É bem provável que a decisão saia das urnas, num chamamento à militância que está em curso antes mesmo de a corda ser esticada ao extremo como hoje, mas disputas internas não são novidade no PMDB. Durante anos, os deputados Tarcísio Delgado e Sílvio de Abreu ocuparam lotes diferentes dentro da legenda, que, às vezes, eram perpassados pelo então prefeito e, depois, senador Itamar Franco, formando dois blocos distintos e um tertius. Mesmo assim, o partido chegou à Prefeitura em 1966, 1974, 1983, 1996 e 2000. Nos dois primeiros anos citados, com Itamar e, nos demais, com Tarcísio.

O cenário local ainda não está totalmente definido, pois faltam dados sobre quais serão os candidatos, mas é possível especular sobre o discurso que será levado aos palanques. Na busca pela reeleição, o prefeito Custódio Mattos deve dar ênfase ao desenvolvimento econômico, como, aliás, já vem fazendo. Na última quinta-feira, durante inauguração da Codeme, lembrou a estagnação econômica do município, quando prevalecia o discurso do aqui não corre dinheiro, e a empregabilidade que se manifestou na sua gestão. Segundo ele, do ano passado até agora foram gerados 10 mil empregos e investido R$ 1 bilhão. O prefeito deve reforçar a parceria com o Estado que tem dado frutos importantes para a cidade.

A professora Margarida Salomão terá como mote o discurso de oposição, lembrando, preferencialmente, promessas feitas durante a campanha de 2008 e que não teriam sido implementadas ou ainda estão na fase dos projetos, como o sistema viário. Vai reforçar também a importância de uma aliança nacional com o Governo da presidente Dilma, que abriria as portas e os cofres da União para repasses de recursos para Juiz de Fora. É claro que vai falar muito mais do que isso, mas as duas questões são pedra de toque numa campanha de oposição. Com recall da última eleição, quando foi derrotada no segundo turno, aposta na memória do seu eleitor, o que facilitaria a busca dos que não sufragaram o seu nome.

Na atual conjuntura, o que se diz são meras especulações. Algumas, fruto da observação política, e outras, forjadas no interesse em gerar fatos, mas há um consenso: o jogo já começou.