VOLTA AO PALANQUE


Por Tribuna

20/04/2013 às 07h00

Desde o controle da inflação, ainda no final da Gestão Itamar Franco, a questão econômica saiu do lugar preferencial nos palanques de campanha. Antes, sim. Numa das campanhas do ex-presidente Lula, o então presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, Mário Amato, disse que, se o líder metalúrgico fosse eleito, cerca de 300 mil empresários deixariam o país. Quando Lula chegou ao poder, o dólar chegou à absurda cotação de quatro por um.

Como ele manteve o rigor econômico do antecessor, os números cederam, e a gestão petista pôde fazer o maior processo de mudança social do país, dando margem para o surgimento de novos atores econômicos, como a classe C, que, finalmente, chegou ao paraíso. O que não se percebeu foi a falta de preparação para o novo cenário. O consumo, por força de mais renda, subiu, mas o setor produtivo, ante a falta de infraestrutura, esbarrou e continua esbarrando na dificuldade de atender à demanda. Este é um dos fatores que levam à inflação.

Mais de uma década depois, ela deve voltar aos palanques, como já ocorre no embate inicial entre Governo e oposição. Os números já não são tão sólidos, e a área econômica teve que ceder às evidências para subir as taxas de juros. Trata-se do velho antídoto, mas que pode se mostrar incapaz se outras ações não forem tomadas. Como o jornal O Globo apresentou na sua edição de ontem, o descontrole de gastos ameaça os estados. Trata-se da ponta de um novo iceberg que deve ser resolvida o quanto antes. A Lei de Responsabilidade Fiscal, criada para impedir a ação de dirigentes perdulários, está sendo sistematicamente desrespeitada.