RUAS E URNAS
A pesquisa do Instituto MDA, a pedido da Confederação Nacional dos Transportes, divulgada na última segunda-feira, não aferiu apenas o comportamento dos candidatos e do Governo. Os pesquisadores também apuraram o grau de satisfação dos brasileiros com a Copa do Mundo. E os números surpreenderam: 75,8% dos ouvidos avaliaram que os investimentos para a realização da competição foram desnecessários. Só 13,3% viram na iniciativa um bom negócio, enquanto 7,3% registraram que os investimentos não foram suficientes. Já 80,2% discordaram do dinheiro gasto com construção ou reforma de estádios. Os R$ 8,5 bilhões poderiam ter sido utilizados para melhorar outras áreas.
A pesquisa, que ouviu 2.002 entrevistados em 137 municípios brasileiros, é emblemática, pois revela a rejeição das ruas com o excessivo gasto do dinheiro público num empreendimento que é privado. A FIFA não abre mão de um só centavo nas suas pretensões, sejam elas de marketing ou de preços de ingressos, mas exige que o país-sede faça sacrifícios além da conta para realizar a competição. Há quem considere que, quando a bola rolar, o país se unirá em torno da seleção, esquecendo a gastança. Há controvérsias. O esquecimento coletivo só se dará – e mesmo assim sem garantias – se a equipe de Luiz Felipe Scolari ganhar a competição. Caso contrário, a conta será cobrada com mais ênfase, pois o gasto será considerado inútil. Se o título não sair, o reflexo será nas ruas e nas urnas, pois é ano de eleição.
É fato que os estádios, agora chamados Arenas, precisavam de uma nova roupagem, pois eram verdadeiros símbolos do Brasil grande, quando o dinheiro também era consumido sem qualquer controle, mas obsoletos. O que o brasileiro questiona, porém, é o custo-benefício, sobretudo em regiões em que o retorno será mínimo, nas quais não há, sequer, tradição esportiva, como no Mato Grosso, cujos times nem mesmo disputam a primeira divisão.











