JOGO ABERTO
Um conceituado assessor da presidente Dilma Rousseff e vários atores políticos consideram que a semana é de Joaquim Barbosa, presidente do Supremo, que decretou a prisão dos condenados pelo mensalão. Seu nome voltou à cena política por conta da possibilidade de ser candidato, ainda em 2014, à Presidência da República. Embora sem partido, ele, como os demais magistrados, tem a prerrogativa de fazer a escolha até o mês de abril. Desta forma, o jogo está aberto. Nas diversas vezes em que foi indagado sobre tal possibilidade, o ministro ora reagiu com veemência, dizendo ser apenas presidente do STF, ora foi evasivo, enfatizando que só depois de deixar a toga é que vai pensar no assunto. Mas quando vai se aposentar? Ele já disse que não pretende esperar a compulsória dos 70 anos para voltar para casa. Hoje, tem 58 anos.
A presença do ministro no jogo político foi motivo de especulações na instância judiciária, pois a decisão de mandar recolher os condenados criou uma situação nova no país, embora não devesse causar surpresas. Ainda há quem proteste por um julgamento que durou anos e no qual o direito de defesa foi usado até o limite – alguns mais do que devia -, considerando os réus presos políticos. Não há, portanto, que se falar em preso político. É hora, sim, de ir adiante, encerrando de vez essa novela, que está nas ruas desde 2005.
O Supremo Tribunal Federal precisa, porém, acelerar a agenda de outras demandas, como o mensalão mineiro, que começou antes do atual, na eleição em que o ex-presidente Itamar Franco venceu o então governador Eduardo Azeredo, que tentava a reeleição. A acusação é de uso de recursos públicos para um projeto que fracassou nas urnas. Desta vez, porém, os envolvidos são da instância tucana, que se recusam a dizer que há semelhança nos casos. Se são iguais ou não, a questão é outra. Como todos os fatos em que os limites da lei foram rompidos, é necessário julgar, a fim de garantir ao cidadão comum que a Justiça, finalmente, não está restrita ao andar de baixo, sobretudo quando se trata de punir.











