BOMBA-RELÓGIO


Por Tribuna

19/10/2011 às 08h00

O Distrito Federal é uma festa. O ex-governador José Inácio Arruda caiu por conta de uma série de acusações de um antigo assessor, ou uma espécie de faz-tudo, que gravou o repasse de propina a vários interlocutores do Governo, entre eles a deputada Jacqueline Roriz, que só não foi cassada pelo raso entendimento do Conselho de Ética da Câmara Federal de que o delito teria acontecido antes de sua posse, não havendo, pois, dano ao decoro parlamentar. O outro ex-governador, Joaquim Roriz, saiu pela porta dos fundos do Senado quando estava na iminência de perder o mandato, também por ações ilegais, muitas delas ainda remanescentes de seu período de mandatário do distrito de Brasília. Agora é a vez de Agnelo Queiroz, antigo comunista que se mudou para o PT e venceu a eleição, colocado no baile pelo próprio ministro Orlando Silva, que diz ter sido ele o responsável pelo contato com o delator.

O algoz é o policial militar João Dias Ferreira, que faz o milagre da multiplicação. Com um salário em torno de R$ 4,5 mil por mês, ele é proprietário de uma mansão num condomínio fechado com três carros importados na garagem: um Camaro, um Volvo e uma BMW. O Ministério Público já o investiga, mas o que se sabe é que ele é uma bomba-relógio ambulante. É dono de um arquivo no qual constariam vídeos e papéis de conteúdo explosivo que o capacitam a enfrentar superiores e escapar de investigações. Mais do que isso, ainda indica apadrinhados para cargos importantes no Governo do Distrito Federal.

As relações de poder são precárias quando há descontrole e demandas mal apuradas. O país tem sido pródigo em escândalos, mas são raros os casos em que os responsáveis pagam pelo erro e devolvem aos cofres públicos o que ganharam ilicitamente. Com tantas facilidades e brechas que levam à impunidade, o caso de hoje é apenas o da vez. Breve surgirão outros e tantos outros, tal a fragilidade do sistema. A eventual demissão do ministro dos Esportes, Orlando Silva, será apenas mais um gesto para a arquibancada do que real, pois o problema permanecerá. Enquanto não houver mudanças de conceitos no uso do dinheiro público, a troca de nomes não alterará o resultado, e o país, certamente, vai continuar sendo olhado com desconfiança pelos parceiros externos, enquanto ao povo, de novo, sobrará o espanto por mais um episódio de tal monta.