FIO DA MEADA


Por Tribuna

19/04/2015 às 06h00

A busca de protagonismo da operação “Lava jato” envolvendo o Ministério Público e a Polícia Federal, ora emperrando as investigações dos políticos, não chegou às outras frentes, o que lança luzes, agora, para um novo foco de problemas: os fundos de pensão. Bola da vez, registraram prejuízos estratosféricos em 2014, fruto de administração temerária, deixando seus filiados – trabalhadores – preocupados, já que depositaram suas esperanças em tais instituições. Se o rombo se consolidar, o dano, porém, será de todos, já que será preciso buscar dinheiro público para evitar o caos no setor. Esta é mais uma faceta do uso político de entidades criadas para proteger os trabalhadores, mas que acabam se tornando uma fonte de problemas. Os números do ano passado apontam para um prejuízo da ordem de R$ 6,2 bilhões, como revelou o matutino “O Globo”, na última sexta-feira.

Desde o início das investigações em torno da Petrobras, já se sabia que, ao puxar o fio da meada, os investigadores iriam para outros caminhos. Foi dessa forma que chegaram aos políticos e, agora, aos fundos de pensão. O problema, porém, é que esse cenário se repete também nos fundos dos Correios e da Caixa Econômica, também administrados por afilhados políticos.

As investigações seguem a mesma rota das comissões parlamentares de inquérito: todos sabem como começam, mas ninguém prevê o seu desfecho. Por isso, o aprofundamento das investigações deixa diversos atores com as barbas de molho, inclusive de outras gestões, pois o patrimonialismo não é uma prática recente, vindo desde os tempos coloniais. A questão, no entanto, é que, em vez de ser abolido da vida pública, tem sido aperfeiçoado no decorrer dos anos.