IDAS E VINDAS
Mesmo respirando por aparelhos, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, fecha a semana ainda no cargo. Seu depoimento ontem no Senado foi um primor de idas e vindas, pois negou que tivesse dito uma série de informações na Câmara, e usou o velho discurso da conspiração, denunciando que há forças interessadas em desestabilizar o Governo. O noticiário do fim do dia indicava que o PDT, que já estava pensando em trocar a guarda, vai esperar mais um pouco. No Planalto não houve manifestação, mas a presidente, certamente, não vai tomar providências em cima do laço para não repetir o risco de ser classificada como pautada pela mídia. Não é; pois o que faz é apenas praticar o gesto republicano de apurar denúncias.
O fato de não demitir o ministro não garante sua permanência no Governo. Como o ano está terminando e há planos de uma reforma ministerial no início de 2012, a alternativa factível é esperar por mais um mês, dando tempo, inclusive, para se avaliar a aliança no Congresso. Ademais, a mudança não deve ficar restrita ao PDT, devendo alcançar outras pastas, ora sob avaliação de rendimento, e nem todas correspondendo às expectativas. Será levado em conta, ainda, o calendário eleitoral. No ano que vem estarão em jogo os mandatos de prefeitos e vereadores, estratégicos em diversas cidades brasileiras, principalmente nas capitais.
O caso Lupi é resultado da necessidade de o Governo ter uma ampla base na Câmara e no Senado, sendo obrigado a acolher as demandas dos partidos aliados. Como muitos foram entregues de porteira fechada, o controle tornou-se frágil. Esse, aliás, é um dos pontos que a presidente deve corrigir, sob o risco de, em não o fazendo, viver novos escândalos em sua gestão. Sob esse aspecto, ela já deu provas de que vive um amplo desconforto quando nomes de ministros convidados para seu Governo aparecem na mídia marcados por denúncias. Por isso, torna-se necessário alterar os critérios de escolha e exigir, até mesmo dos aliados, que indiquem nomes com menor potencial de problemas.










