ÀS AVESSAS
A sociedade pós-moderna vive o paradoxo da exclusão às avessas, especialmente nas metrópoles e cidades de porte médio, como é o caso de Juiz de Fora. Segmentos com poder aquisitivo, e até mesmo a nova classe média, estão se isolando em condomínios fechados em razão do aumento dos crimes contra o patrimônio. Morar em locais com vigilância privada, antes um luxo de poucos, tornou-se uma saída recorrente. Na edição de ontem, a Tribuna mostrou como vários serviços estão sendo executados literalmente atrás das grades. São, entre outros, os casos de um salão de cabeleireiro, em Santa Luzia, e de uma comerciante que faz as vendas isoladas dos compradores, no Bairro de Lourdes.
Essa inversão é detectada no dia a dia e no discurso. Seu João, o cabeleireiro, é emblemático: eu estou preso, e os bandidos estão soltos. Ele destaca as medidas que tomou que o apartaram das ruas, na execução de seu trabalho, e a ação dos assaltantes, que operam com frequência em sua região. Os crimes de tal tipificação, de acordo com dados da própria Polícia Militar, aumentaram 20% este ano. Sem falar dos casos residenciais; de janeiro a setembro de 2013, foram registradas 151 ocorrências envolvendo padarias, mercearias, farmácias, joalherias, casas lotéricas e demais estabelecimentos comerciais.
Por trás desses crimes está, principalmente, o consumo de drogas. Para fazer dinheiro e satisfazer o vício, usuários estão engrossando a lista de responsáveis por tais crimes e a qualquer momento. Tal situação muda a rotina, até mesmo dos serviços. Conhecida por ser um shopping a céu aberto com suas galerias, Juiz de Fora vive uma situação em que elas deixam de ser passagem assim que o comércio abaixa suas portas. Com portões em suas extremidades, tornam-se locais permitidos apenas para os moradores. Mesmo assim, não estão imunes aos assaltantes. Recentemente, um casal foi ameaçado por armas numa delas. Em outra, as câmeras de vigilância registraram a ação de uma dupla que invadiu uma imobiliária.











