VOLTA ÀS RUAS


Por Tribuna

18/09/2011 às 07h00

Na próxima terça-feira, os jovens devem voltar à rua em protesto contra a corrupção, como, aliás, fizeram no Dia da Independência nas principais capitais do país. A primeira experiência, a despeito do considerável número de adesões, foi considerada abaixo das expectativas. Mas não devem se iludir os que apostam no recuo. Por desconhecimento da força das redes sociais, acham que foi apenas um sonho de verão, fruto mais do modo de pensar da juventude que das próprias evidências. Mesmo que o próximo passo também não tenha audiência esperada, é assim que começam os movimentos de mudança. A luta pelas diretas não foi um sucesso imediato. Foi construída aos poucos e chegou aos milhões pela força do próprio povo, ressalte-se, ainda sem a internet.

A corrupção é um problema endêmico, e ficar silente ante a sua evolução é um passo atrás na própria cidadania. O volume de recursos perdido daria para fazer desse país um espaço melhor e mais avançado, daí a razão do protesto coletivo. Ademais, transigir com o ilícito é uma grave omissão. As denúncias, geralmente apresentadas pela mídia, devem continuar incomodando a opinião pública, pois, no dia em que forem incorporadas à rotina, não haverá retorno. E não há distinção entre grande ou pequeno saque. O político que se envolve em grandes negócios ou aquele que paga a empregada com o dinheiro público estão no mesmo barco e devem pagar a conta.

Hoje, por infortúnio do povo, os corruptos são apenas apeados dos cargos, mas não há avanços. Em que pé estão as investigações contra os demitidos por corrupção no Dnit, no Ministério dos Transportes ou em outras instâncias, como o ex-ministro Antônio Palocci, que fez o milagre da multiplicação com suas consultorias? O afastamento é apenas uma pena administrativa, mas o que foi cometido, na maioria dos casos, foram ilícitos penais, que devem ser levados às últimas instâncias de julgamento, respeitado o amplo direito de defesa. Caso contrário, a demissão será um prêmio, deixando a impressão de que fica tudo por isso mesmo. E não deve.