PELO LADO SOCIAL
É oportuna a criação do Conselho Municipal de Políticas Integradas sobre Drogas em Juiz de Fora, anunciada na última quarta-feira pelo prefeito Custódio Mattos, pois insere Juiz de Fora entre as cidades que estão tomando iniciativas para combater o flagelo que afeta milhões de pessoas pelo mundo afora e não deixa, sequer, uma só região sem a sua presença. Elaborar ações de prevenção, como está no projeto, e programas de tratamento e reinserção social dos dependentes químicos é vital neste enfrentamento, que tem na repressão uma de suas faces. A polícia deve continuar reprimindo, mas até mesmo suas ações serão em vão se não houver extensão nos projetos do Estado. O uso de drogas é, também, uma questão de saúde pública.
O lado perverso desse enredo é que vários segmentos, muitos deles de grande conceito, entendem que a guerra está sendo perdida, sugerindo alternativas como a descriminalização do consumo. Suas ideias não devem ser descartadas, mas, enquanto não vão adiante, é necessário investir em outras frentes. Como a Tribuna mostrou na edição de ontem, o óxi, um substrato do crack, que já é um derivado de outras drogas, já ensaia sua entrada no município. Tem um poder letal bem maior do que os outros entorpecentes e já tem as primeiras vítimas sob tratamento.
A luta contra as drogas, no entanto, especialmente na instância de consumo, não é uma prerrogativa exclusiva dos governos. A família tem papel vital, sobretudo por ser ela, também, a primeira vítima. Usuários sem meios de compra fazem de seus lares um espaço de ganho, com isso praticam furtos e chegam ao limite de tragédias. Para tanto, porém, é necessário o auxílio contemplado no projeto. Segmentos carentes, mesmo conhecendo os danos, não sabem sequer como se mobilizar contra a ação do tráfico e do consumo. O Conselho Municipal é um ponto de referência importante que deve receber respaldo da sociedade. Neste caso, família e Estado formam uma boa parceria.










