FOCO DE VAIDADES


Por Tribuna

18/04/2015 às 06h00

O ministro Teori Zavascki, do STF, paralisou parte das investigações da operação “Lava jato” envolvendo políticos que supostamente participavam do esquema de corrupção. O motivo foi o desentendimento entre a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal sobre o papel de cada órgão na condução dos trabalhos, algo resultante, sobretudo, da fogueira de vaidades que tomou conta das duas instituições e da busca de protagonismo num processo em que ambas têm todos os méritos pelo que foi apurado até agora. A decisão do ministro atrasa, mas não compromete as investigações, bastando os dois lados se entenderem e levarem em conta a relevância do que estão fazendo para a sociedade.

O choque de competências entre o Ministério Público e a polícia não é algo novo. Há tempos, as duas instituições batem de frente, resultando, inclusive, em discussões que chegaram ao Congresso sobre a competência de investigação. Valeu o argumento de que, além da polícia, os promotores têm essa competência, mas não é algo pacificado, como os próprios eventos demonstram. A despeito do interesse de ambos em chegar a bom termo com suas investigações, o conflito, agora, só ajuda os suspeitos, especialmente os políticos, que são a bola da vez.

A postura do ministro foi importante, assim como o primeiro passo do procurador-geral da República e do delegado-geral da Polícia Federal de se sentarem à mesma mesa para colocarem os pingos nos is. Como órgãos de Estado, e não de Governo, PGR e PF são fundamentais para a grande virada ora em curso no país. A sociedade espera que o impasse seja superado não só para o bem comum mas também para a imagem que as duas casas conquistaram diante da opinião pública.