JOGO DE COMPADRES


Por Tribuna

18/04/2012 às 06h00

No sábado passado, quando se enfrentaram na última rodada da primeira etapa do Campeonato Mineiro, jogadores do Tupi e do Atlético Mineiro, pela altura dos 30 minutos do segundo tempo, mesmo sem qualquer acordo formal, passaram a tocar a bola à espera do encerramento da partida. Ambos tinham interesse no placar. O Galo de Juiz de Fora, com o empate, passaria para a fase semifinal, e o Galo da capital conservaria o primeiro lugar. Vão se enfrentar de novo por mais duas vezes, a começar pelo próximo domingo.

O exemplo esportivo é para apontar que acordos desse tipo, mesmo tacitamente e resvalando no comprometimento ético, são possíveis, pois estão dentro das regras do jogo. O que não pode é um acordo que estaria sendo tramado no Congresso em torno da CPI de Carlinhos Cachoeira. Se indagados, deputados e senadores desmentem, mas há fortes indícios de que a comissão parlamentar de inquérito, embora prestes a ser instalada, irá apenas cumprir formalidades, não investigando atores importantes do Governo e da oposição, que em algum momento tiveram envolvimento com o contraventor.

Pode ser notícia para rechear o noticiário, mas é público e notório que a instalação da investigação foi um ato considerado intempestivo de políticos que acharam ter chances de tirar algum proveito, sobretudo emparedando adversários. A partir das informações de que Cachoeira é um homem suprapartidário, tendo relações em diversas siglas, criou-se um salve-se quem puder. Abafar a investigação, porém, já era impossível.

É necessário instalar a CPI, mas sob o compromisso de uma investigação dentro do que se espera de uma comissão parlamentar. O ensaiado jogo de compadre, se de fato ocorrer, será mais um fator de desgaste para a já desgastada classe política, mas aí não haverá desculpa, pois a opinião pública está comprometida com o esclarecimento dos fatos.