GUERRA PERDIDA
No debate de segunda-feira, promovido pelo Sindicomércio, Câmara dos Dirigentes Lojistas e Associação Comercial, os cinco deputados estaduais eleitos com domicílio eleitoral em Juiz de Fora se dispuseram a uma nova postura, em nome dos interesses da Zona da Mata. Como novidade, a proximidade dos discursos e a possibilidade de ações mais duras na Assembleia, como obstrução a matérias do Governo. Se somados aos demais parlamentares da região, são nove deputados, portanto, mais de 10% do quorum do Legislativo, composto por 77 eleitos. Trata-se de um número suficiente para se fazer ouvir nos gabinetes oficiais, hoje infensos às demandas da Zona da Mata.
Mas não é uma operação simples. Os próprios parlamentares reconheceram que há um cansaço de discursos e carência de ações práticas. Além disso, se convenceram de que carreiras solo só valem por causas específicas. No mais, se houver, de fato, interesse em soluções imediatas, é fundamental unir as ações, como ora começa a ocorrer no caso da superlotação das cadeias de Juiz de Fora e a transferência de mais 170 presos rebelados de Governador Valadares para o Ceresp e as penitenciárias José Edson Cavalieri e Ariosvaldo Campos Pires. Em grupo, levaram ontem sua indignação ao secretário de Defesa Social, Bernardo Santana, para cobrar a remoção imediata dos visitantes incômodos. A Sedes disse que o fará em tempo hábil.
Próxima ao Rio de Janeiro, a Zona da Mata é a mais afetada pela guerra fiscal com o estado vizinho, que desde a gestão Rosinha/Garotinho drenou os investimentos industriais para as regiões de Três Rios e Levy Gasparian. E por uma razão simples e lógica de mercado. Do outro lado da divisa, o ICMS é de 2%; em Minas, de 18%. Os deputados prometeram insistir nessa discussão, pois, enquanto não houver mudanças, será uma guerra perdida.











