ALÉM DOS LIMITES


Por Tribuna

17/06/2012 às 07h00

Há anos – fato reiteradas vezes apontado pela Tribuna -, pacientes do HPS têm que conviver com internos do sistema carcerário em tratamento em suas instalações. É justo o atendimento, pois a Constituição não distingue os beneficiários, e o SUS tem uma assistência universal, mas é incômodo quando se trata da segurança. Por mais de uma vez, foram verificadas situações de perigo, como a ocorrida na fuga de dois presos, levando medo aos funcionários e às pessoas internadas, além de seus familiares, três anos atrás. Agora, a situação se agrava, pois, até mesmo em alas abertas, há o risco iminente de algum tipo de ataque, como o que foi registrado na tarde de quinta-feira. Adolescentes de uma gangue invadiram o hospital para matar um desafeto, sendo contidos por policiais em serviço. Não fosse a pronta intervenção, a situação ficaria crítica.

A cidade reforça sua indagação: até quando vai essa situação? Se os enfrentamentos já eram preocupantes, pois andar nas ruas tornou-se um risco constante, agora nem em um hospital é possível dizer que não haverá problemas. Os jovens perderam o limite e agem como justiceiros, numa busca frenética de fazer valer a lei com as próprias mãos. A cada ataque, uma reação, formando-se uma sequência de ocorrências que ninguém sabe aonde vai parar. No episódio de quinta-feira, dois pais, de filhos adversários, descobriram-se amigos de longa data e sem explicação para o que acontecia com os adolescentes.

O que está ocorrendo com eles? Por mais que se busquem explicações, ainda não foi encontrada uma solução adequada para um problema que se agrava. Os confrontos, antes localizados em bairros, espalharam-se pelas ruas centrais da cidade. As autoridades de todas as instâncias de segurança e de assistência social têm que discutir uma solução, pois não dá para tolerar tais rixas, cada vez mais constantes, sobretudo quando todos os limites já foram superados.