VOZ DAS RUAS


Por Tribuna

17/03/2015 às 06h00

Tribuna

No mesmo dia em que mais de um milhão de brasileiros foi às ruas, em protesto contra o Governo e a ação dos políticos, celebrava-se o 30º aniversário da volta da democracia no país. Não foi do jeito que se esperava, uma vez que o presidente eleito, Tancredo Neves, fora internado na véspera – e só saiu do hospital morto -, dando chance para a posse de seu vice, José Sarney. Era a volta do poder civil ao Governo, embora pela via indireta do Colégio Eleitoral, mas sob o respaldo das ruas, que, um ano antes, se manifestaram pelo país afora com o brado de “Diretas já”.

Os atos de domingo tiveram outra motivação, mas o Governo e os partidos devem ficar atentos ao que está sendo dito. Se no mesmo dia o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, errara no tom, ao dizer que a mobilização era composta por eleitores de Aécio Neves (aqueles que não votaram no Governo), a própria presidente da República, ante a pressão e sugestões dos ministros, deu ontem novo tom ao evento. Reconheceu a importância do protesto e admitiu que é preciso fazer mudanças além das que sua gestão está realizando. Pela primeira vez, admitiu que há espaço para ouvir aqueles que estão interessados no diálogo. Boa fala, mas que deve servir também para dentro de sua equipe, pois nem todos admitem fazer algum tipo de concessão.

O ex-presidente do Senado, e ex-ministro da Justiça, Petrônio Portela, advertia que não se deve brigar com os fatos. Embora não tenha sido o foco central do protesto, o Congresso ignora a manifestação das ruas, apesar de uma primeira versão ter sido mostrada em junho de 2013. Na ocasião, foram prometidas várias ações, a começar pela reforma política, que não saiu do papel.