TRONO DE PEDRO
Eleito em 19 de abril de 2005, já aos 78 anos de idade, o Papa Bento XVI dá sinais ambíguos sobre o papel que irá desempenhar a partir do dia 28, quando deixará a cadeira de Pedro para tornar-se um recluso no Vaticano – algo inédito nos últimos 600 anos -, enquanto um novo pontífice estará sendo eleito para o seu lugar. Na reunião com o clero, na última quinta-feira, disse que ficará escondido do resto do mundo, mas perto dos religiosos. O que queria dizer com isso? Longe do mundo é um fato por ele escolhido, mas, ao se colocar perto dos religiosos, deu margem às especulações de coexistência com o sucessor. Pode ter sido um acidente de retórica, mas, como tudo é novo nesse cenário, a prudência recomenda esperar para ver.
O que se discute profundamente, agora, é o que se espera do próximo Papa em tempos de tantas incertezas. A Igreja, além dos próprios e muitos problemas internos, tem questões importantes para colocar em prática, como o avanço de outras seitas e o próprio secularismo, que se tornou uma realidade na Europa. O novo pontífice terá que atuar em várias frentes ao mesmo tempo, algo impossível para o cardeal Ratzinger, do alto de seus 85 anos. Lúcido, mas frágil, ele próprio, mesmo não querendo influir, já dá pistas do que espera do sucessor ao apontar a renovação da Igreja e expor ao público o que chamou de hipocrisia religiosa e divisão do clero.
É fato que cada um puxará para o seu lado. Assim como as Américas – que vivem pela primeira vez a renúncia de um Papa – entendem ser a vez de um líder da Igreja que não pertença à Europa, os italianos lembram que estão fora do poder há muito tempo, enquanto os africanos advertem que o catolicismo mais profícuo está em seu continente. O futuro Papa terá que preencher todos esses quesitos.











