POÇO SEM FUNDO


Por Tribuna

16/12/2014 às 07h00- Atualizada 26/12/2014 às 05h23

Na semana passada, ao ser cassado pelos seus pares da Câmara Federal, o ex-deputado André Vargas comentou que era apenas um cisco nas relações pouco republicanas com o doleiro Alberto Youssef. Por conta disso, se disse injustiçado pelos colegas, já que seu pecado, no seu entendimento, era apenas venial. Ele quer saber como deputados e senadores vão agir quando começarem a surgir os peixes grandes do Congresso também envolvidos em maracutaias. Uma lista inicial contempla nada menos do que 35 parlamentares.

O dado relevante é que o escândalo mais parece um poço sem fundo. Também na semana passada, o caso Petrobras ganhou novos componentes com a denúncia de uma ex-funcionária dizendo que alertou os diretores, inclusive a presidente Graça Foster, sobre a corrupção na companhia. E nada foi feito. Ela, a denunciante, acabou na rua.

Na edição de ontem, o jornal “O Globo” revelou que “propinas para plataformas chegaram a até 10%”. O fato começou a ser desvendado pelo Ministério Público holandês por conta do envolvimento da empresa SBM, que recebeu um aporte de US$ 25 milhões da Petrobras para acelerar a construção de um navio. Ela confessou também pagamentos em propinas para fechar 13 contratos de aluguel e venda de plataformas, num negócio em que foram gastos US$ 102 milhões de suborno. O mensalão, diante de tais cifras, é apenas um detalhe.

Casos como esses são semelhantes a CPIs: sabe-se como começam, mas seu desfecho é imprevisível. O Congresso egresso das urnas de outubro terá a missão de ampliar as investigações, mas começa contaminado pelas próprias evidências. Dos 35 políticos envolvidos, muitos deles renovaram seus mandatos. E aí fica no ar a pergunta de André Vargas: e então, como é que fica?