JOGO DE PODER
Um dos principais pontos do projeto de reforma política, ora em tramitação na Câmara Federal, estabelece a implantação de eleições completas, isto é, de uma só vez seriam eleitos presidente da República, governadores, prefeitos, senadores, deputados federais e estaduais e vereadores. A experiência já foi adotada no Brasil, mas a forma utilizada na ocasião, com o voto vinculado para impedir defecções nas diversas instâncias políticas, acabou comprometendo a continuidade do modelo. Desta forma, o país voltou a ter eleições de dois em dois anos, num revezamento que chama o eleitor às urnas em um período, para alguns, demasiadamente curto.
Para determinados segmentos, eleição sempre faz bem à democracia, não vendo, pois, qualquer problema em realizá-las de dois em dois anos. Para outros, no entanto, o processo eleitoral não para nunca, fazendo com que uma eleição seja apenas escada para a outra. E há sentido nisso. A acirrada luta das eleições municipais, nas quais as paixões mais aparecem, tornou-se apenas uma etapa do pleito maior, quando está em jogo o poder no Estado e na União. Por isso, o que seria uma demanda paroquial, envolvendo os atores locais, transformou-se um jogo de poder de grande porte, forçando a elaboração de acordos de toda sorte.
Para detectar esse processo, basta acompanhar o discurso dos atores políticos, que é feito às claras e sem ferir princípios éticos. Na semana que termina, lideranças petistas e tucanas de Juiz de Fora, em seus diretórios, discutiram o papel que devem adotar em relação ao governo do PMDB, a ser inaugurado no dia 1º de janeiro. Os petistas se disseram contra, mas avisaram que será uma oposição programática, enquanto os tucanos devem fazer novas discussões para garantir apoio à próxima administração. O que estaria em jogo num ciclo que começa sem a presença dos dois partidos como líderes da gestão? A sucessão de 2014. Tanto tucanos quanto petistas já pensam nas eleições em que serão eleitos presidente e governador, e nas quais, de novo, serão os principais contendores. Por isso a importância de se fazer alianças ou não.
A implantação de eleições completas de quatro em quatro anos não muda os acordos, e sua elaboração passará por um novo formato, mas tudo dependerá da reforma emperrada no Congresso. Se atrasar, sua adoção só vai ocorrer, de fato, em 2018, ou, de acordo com os pessimistas, em 2022.











