COMO ANTES


Por Tribuna

16/10/2012 às 07h00

Quando o Ministério da Educação passou a dar ênfase ao Enem, como principal meio de acesso às universidades, o discurso era de substituição do vestibular, forma de aferição considerada perversa e injusta, uma vez que, além de não medir conhecimento, desprezava todo o histórico de estudos em detrimento dos cursos intensivos, já articulados sob a melhor maneira para se obter êxito. No entanto, o que se vê hoje – e já constatado até por especialistas – é que o Enem está indo pela mesma trilha, mais parecendo um vestibular dos velhos moldes do que com o que foi estabelecido na sua implantação. Na edição de domingo, a Tribuna mostrou as incertezas dos candidatos, que não sabem direito qual a melhor forma de se apresentarem nas provas, em função dos critérios estabelecidos.

Estes mesmos especialistas esclarecem que se trata de uma forma mais justa, já que privilegia o conhecimento, mas o modo como o tema foi discutido e apresentado aos estudantes deixa dúvidas, sobretudo agora, quando a data das provas se aproxima. Penalizados por uma greve que mudou todo o calendário de acesso ao terceiro grau, os alunos precisam de segurança para prosseguirem em sua jornada. A Teoria de Resposta ao Item, que influencia na correção e na elaboração do teste, é, certamente, positiva, mas causa estranhamento, sobretudo para essa geração que passou anos treinada sob a antiga forma.

O modelo educacional avançou sobremaneira no país, mas o link em suas várias etapas e as distorções entre escolas públicas e privadas continuam formando uma fonte de injustiças, já que a chegada à universidade, em vez de um prêmio ou de um caminhar natural após anos de estudo, continua sendo penosa, bastando ver o comportamento pré-prova dos candidatos. Como a carga curricular tem sido insuficiente, os cursos de apoio se tornaram rotina, levando esses adolescentes a um esforço extremo na busca pela aprovação.