VOZ DAS RUAS
O projeto de iniciativa popular Pró-Bairros, que cria o fundo municipal de incentivo à organização comunitária e um programa comunitário de desenvolvimento sustentável – com audiência pública marcada para hoje na Câmara -, é um avanço nos projetos de participação coletiva, nos quais a comunidade é chamada a opinar sem a influência do poder político. Não se trata, porém, de um descarte do agente público como o vereador, que continua sendo peça importante no processo. Cria, sim, como lembram os próprios líderes, uma barreira aos políticos que fazem do assistencialismo uma marca e que só agem com olhar voltado para o próprio umbigo. A partir de projetos como esse, o vereador ou deputado tem que agir em sintonia com o interesse coletivo. Assim agindo, todos ganham, inclusive o político.
O modo de fazer política passa por uma profunda mudança sem que alguns atores do meio percebam. As ruas não só têm mudado o seu discurso, como também atuam mais efetivamente, utilizando ferramentas importantes, como a internet. Vários movimentos surgidos nos últimos anos não saíram de plenárias ou reuniões fechadas. Eles foram resultado da rede mundial e de seu efeito cascata. Regimes de exceção estão na berlinda, porque o povo, até então sem voz, encontrou nas redes sociais um canal de comunicação sem intermediação do estado. Para outras demandas, o modo de operar é o mesmo.
O projeto é apenas uma das etapas que terão interferência direta na vida dos cidadãos, pois os mecanismos de fiscalização também estão sendo aperfeiçoados. Por isso, é preciso sair na frente, como a própria Câmara, ressalte-se, fez quando abriu as suas contas para o olhar público. A transparência tornou-se uma exigência, como também será a argamassa para materialização de projetos e seu acompanhamento sistemático. Embora alguns chamem de democracia direta, a via política ainda é necessária, pois não afasta, quando exercida sob princípios éticos, quem tenha espaço para apresentar seus pleitos. Agindo comunitariamente, todos ganham.










