OLHAR ALHEIO


Por Tribuna

16/07/2013 às 07h00

O Governo brasileiro, com justificadas razões, protestou diretamente e também nos fóruns internacionais contra a ação da Agência Nacional de Segurança dos EUA, que andou bisbilhotando e-mails e outras correspondências de Estado, pessoas e grupos empresariais, em nome do combate ao terrorismo. Mas não basta só colocar a boca no trombone se não tomar providências. Para obter privacidade, sobretudo com os segredos de Estado, é preciso investir, já que não apenas os americanos, mas os demais países, especialmente as grandes potências, vivem olhando dados da concorrência. E esse é o dever de casa que a presidente deve cobrar de sua equipe, a fim de garantir a segurança e evitar a invasão de privacidade que tanto incomoda.

Mas se nos segredos de Estado os danos são imensuráveis, no dia a dia, as relações de comunicação mudaram o cenário. Hoje, a despeito dos firewalls, as pessoas estão cada vez mais vulneráveis tal o tráfego de informação que elas mesmas produzem. Mais do que isso, também se abrem para o mundo, num frenesi que se reverbera, sobretudo, nas redes sociais. Alguns personagens, antes mesmo do café da manhã, já estão dizendo ao mundo que acordaram. Ao saírem de casa, já deram sua opinião sobre os acontecimentos e contaram seus dramas em torno de determinados temas. Há, então, uma exposição sem limites.

Mas é certo que nada autoriza alguém a verificar dados que estão vedados ou mesmo simples informações que não foram permitidas. Por isso, é preciso cuidado em fazer arquivos, pois há sempre o risco de invasão. O Governo russo ressuscitou a velha máquina de escrever para transcrever informações estratégicas. Trata-se de um paradoxo, mas, por enquanto, um bom antídoto contra o grande irmão que tudo vê.