BALCÃO POLÍTICO


Por Tribuna

16/03/2012 às 06h00

Vida de chefe de Executivo em governo de coalizão não é fácil. As manchetes de ontem e as que perambularam pela internet são emblemáticas: PDT cobra nomeação para o Ministério do Trabalho; PR vai para a oposição por não conseguir o Ministério dos Transportes; bancada faz ato de desagravo a Vacarezza e Governo recua e vai permitir bebidas nos estádios. Esta última não tem nada a ver com o turbilhão no Congresso, mas mostra um descompasso entre a base e o Planalto, pois, na véspera, os mesmos deputados tinham rejeitado o pleito da FIFA e deram curso à Lei Geral da Copa, com restrições. Ao receber o presidente da entidade, Joseph Blatter, a presidente Dilma Rousseff deve dar-lhe a boa-nova e selar um tratado de paz.

Mas entre os aliados ainda vai demorar muito para se fumar o cachimbo da conciliação. Enquanto algumas legendas pressionam para ter novos cargos, os novos líderes terão que acalmar a bancada do PR na Câmara Federal, a fim de evitar que siga o caminho dos senadores que se declararam descompromissados com o Planalto. Em conversa com a ministra Ideli Salvatti, o senador Blairo Maggi foi taxativo: o partido está cansado, pois não houve avanço em nove meses de conversas. E desligou o telefone com um PT saudações.

A gestão Dilma Rousseff não é a primeira nem a última a enfrentar esse balcão de negócios que se estabeleceu na relação entre Executivo e Legislativo. Para governar, o primeiro tem que ceder; para conseguir cargos, os partidos precisam cumprir ordens. E é nesse é dando que se recebe que a política vai adiante. Agora, com a chegada das eleições municipais, os acordos partem para apoio nos municípios, com a indução de alianças que nem sempre satisfazem as bases. Como os diretórios nacionais têm a prerrogativa da intervenção, quem não cumprir as ordens cai. Nesse caso, quem fica perplexo é o eleitor, pois nem sempre entende o cenário visto nos palanques, nos quais as identidades ideológica e programática nada influem, valendo, sim, o interesse que quase sempre é acordado nos bastidores.