AÇÕES COLETIVAS
A competência primária da segurança pública é dos estados, cabendo à União gerenciar o provimento financeiro e aos municípios, o suporte para as ações. A conjugação dessas três instâncias, no entanto, funciona melhor no papel do que na prática, uma vez que muitas das políticas públicas para o setor continuam presas na burocracia, muitas delas fruto de contingenciamentos ordenados pela área econômica, como ora ocorre no Governo federal. Muitos dos programas anunciados pelo ministro José Eduardo Cardozo acabaram vetados pelos técnicos do ministro Guido Mantega, ficando à mercê de um melhor momento para sua liberação. Brasília gastou apenas 23% dos recursos destinados à segurança. O problema é que a violência não pode esperar, sendo uma demanda constante e de investimentos permanentes.
Na instância municipal, as principais medidas são de infraestrutura dos espaços e parcerias com as polícias, como é comum em Juiz de Fora. O município, não é de hoje, desenvolve vários programas junto com o Governo estadual na implantação de projetos, como os espaços da paz, mas deveria ir adiante em outras questões, nas quais ele pode agir sozinho. Implantar iluminação em áreas consideradas críticas é fundamental, pois inibe – embora não impeça – a ação de autores de ilícitos, sobretudo contra o patrimônio. Muitas das ocorrências de furtos e roubos são registradas em regiões de acesso comprometido.
A Câmara Municipal está iniciando uma série de discussões sobre a violência na cidade, sobretudo, como bem destacaram os vereadores, a matança entre os jovens. O número de vítimas adolescentes é espantoso, como são surpreendentes os motivos. A maioria ocorre por razões menores, mais fruto de incentivo de grupos – as gangues – do que de algum tipo de questão pessoal entre vítima e autor. Na busca de um equivocado reconhecimento ou na tentativa de marcar território, os jovens estão encurtando a vida de uma geração que, em vez dos enfrentamentos, deveria estar nos bancos escolares.
É fato que há o componente do tráfico de drogas, mas muitos dos episódios registrados pela polícia tinham outras motivações, apontando o baixo preço da vida, sobretudo de uma faixa etária que está apenas começando a viver.











